A maioria de nós já ouvimos ” você está tão ansioso(a)!” ou algo parecido diversas vezes em nossa vida. Podemos pensar em várias palavras para descrever como nos sentimos quando aparentemente estamos ansiosos, por exemplo: grande expectativa por algo, nervosismo, dúvidas, inquietude, falta de paz, etc.

    A ansiedade é um componente importante para nossa vida, mas até que ponto é algo saudável?

    É sobre tal questão que o texto pretende falar.

    Na atualidade, tudo acontece tão rápido. Pessoas nascem, casam, têm filhos, compram, vendem, ganham, perdem, e milhares de outros fenômenos naturais e estranhos acontecem o tempo todo numa rede chamada sociedade humana. O tempo entre eles parece que está numa corrida sem pausa, sem trégua pra respirar; passa na sua correria, e ainda tenta governar nossas emoções e sentimentos, tornando o passado presente e tentando viver o futuro no agora, tudo bagunçado mesmo, marca da nossa civilização. E aqui estamos nós, bem no meio desse emaranhado de informações, cada um com sua história, suas causas  e queixas, vivendo um dia após o outro, tentamos ser mais do que simples números, e somos!

    Somos tão cobrados e pressionados a avançar, a conquistar coisas novas, tomar decisões, e cumprir metas, viver numa moda e num padrão de vida quase inalcançável, estar atualizado o tempo todo, etc.; não que esses aspectos sejam algo ruim para nós, mas que por conta disso, muitas vezes não resistimos, caímos no ciclo da ansiedade, e assim corremos um grande risco de começar a viver uma vida na superficialidade. Aqui está um ponto delicado, que precisamos sempre estar refletindo sobre nós mesmos, nossos valores, enfim sobre nossa própria existência.

    Sobre a ansiedade, existem dois tipos que podemos destacar: o estágio funcional e o disfuncional.

    A ansiedade funcional é naturalmente uma forma que nosso corpo/mente encontrou para nos manter protegidos contra o perigo . Quando percebemos algo perigoso ou ameaçador o nosso cérebro libera substâncias que são resposta para aquele estímulo. São características da ansiedade, em geral nossos batimentos cardíacos aumentam, o ritmo da respiração também, e os nossos músculos se prepararam para uma defesa, eles ficam tensos.

    Agora, imaginem, que estamos diariamente expostos a fenômenos sociais que ameaçam nossa segurança, sem contar com questões pessoais, que muitas vezes nos fazem ficar tensos e preocupados. Constantemente o nosso cérebro entende que precisamos nos proteger, e o que acontece? Começamos a experimentar sintomas da ansiedade disfuncional!

    Na ansiedade disfuncional, geralmente sentimos as características da ansiedade funcional de forma mais intensa, que poderão desenvolver vários sintomas (não vamos nos aprofundar em sintomas ou diagnósticos, mas sim promover uma reflexão sobre um estilo de vida mais saudável) e nos adoecer de fato.

    Existem diversos sites, revistas e livros que apontam para estilos de vida quase perfeitos e que, muitas vezes não conseguimos adaptar à nossa realidade. São conteúdos interessantes, de fato, porém é necessário entendermos que o estilo de vida perfeito para nós é aquele que nos traz paz. E, sobre a ansiedade, como falamos acima, é natural nos sentirmos ansiosos em algum momento de nossas vidas, é um processo biopsicossocial (é ao mesmo tempo, biológico, psicológico e social), mas se isso faz parte do nosso estilo de vida, como quase que uma regra para todos os eventos e fenômenos que acontecem ou que acontecerão, provavelmente não estamos em paz e a tendência é de adoecermos.  

    Muitas vezes já estamos tão habituados a viver um modo de vida ansioso que nem sabemos como é viver de outra forma. A auto-reflexão é sempre mais importante do que qualquer outra fonte de motivação para mudança de hábitos. Fazendo isso, teremos a possibilidade de perceber quando não estamos bem, e quando precisamos de ajuda para enfrentar as fases difíceis da nossa jornada.

    Por Laish Silva

    X