Há algum tempo que avalio a diferença prática entre viver pela fé (Habacuque 2:4) e viver pela provisão de Deus. A provisão divina é excelente e perfeita, por ela sou protegido, nutrido e ela me mantém. No entanto, viver pela fé não é uma orientação de caminhada para que eu seja continuamente limitado pela presente manifestação da provisão divina, mas sim que eu venha avançar em obediência mesmo quando a provisão não seja material.

    A análise que faço é feita sob a ótica de duas dimensões. Primeiramente, uma jornada de dependência que implica um destino, ou seja, um avanço e um amadurecimento, pois em Cristo não somos chamados para uma vida independente. Assim, o resultado não é um mero destino final como objetivo, mas uma graduação contínua que desenvolve a fé e o crescimento integral na vida do fiel. O que me refiro é em comparação a jornada de Abraão que pela fé levou seu próprio filho Isaque em obediência a Deus até o altar para ser sacrificado e no momento do sacrifício vir a ser consumado a provisão de Deus surgiu. E ali pela primeira e única vez nas Escrituras lemos o nome de Deus como provedor. Assim, me parece que um princípio de provisão está intrinsecamente ligado a fé e obediência.

    Por outro lado, minha reflexão no cuidado deste Deus Pai provedor coloca em perspectiva minha jornada de confiança e as zonas de conforto em que, movido pela bondade do Seu cuidado, tenho recuado nos passos de fé, i.e., assumido riscos, naquilo que genuinamente entendo como chamado de Deus para mim. Ao ponto que, ao invés de fazer aquilo que estou comissionado, espero por todos os meios e condições possíveis de realização sejam a mim tangíveis para então prosseguir.

    É aquela linha de pensamentos repleta de escusas que manifesta-se quando digo a mim mesmo: “quando tiver isso farei aquilo” ou do tipo: “se tivesse recursos eu faria isso”. Realizo então que estou em uma prisão que eu mesmo criei para viver pela provisão e não pela fé.

    Certa vez, ouvi Nic Billman dizer que nossa fome tem que ser maior que nossos medos. E é exatamente este pensamento que explana o viver pela fé, é um assumir a riscos em obediência e não acovardar pelo medo muitas vezes mascarado de sabedoria. Não, não devemos ser imprudentes e irresponsáveis. Mas também não é o objetivo estar preso no limite do viver auto estabelecido.

    Concluo que assumir riscos na certeza substancial daquilo que tenho esperança embora não o vejo, i.e., na fé, é a única forma de viver meu propósito. Não poderei confortavelmente aguardar pela provisão de Deus pois meu compromisso não é reagir a conveniência das circunstâncias mas sim responder obedientemente na confiança que eu atrairei a provisão quando meus medos são superados pela minha fé nos meus sonhos e planos, quando ando no meu destino.

     

    Texto por Jonathan Costa

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